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Archive for outubro \21\UTC 2010

Orísá Aganjú


Mitologia Yorubá

 Oríxá Aganju

   Na mitologia Yorubá, Aganju é o Orixá dos vulcões e desertos. Como o terceiro orixá designado para vir para a Terra, Aganju é uma divindade primordial. Aganju é a força que, como o Sol, que é um de seus símbolos, é essencial para o crescimento, assim como um cultivador das civilizações. Como o vulcão com que é associado, ele forma a base sobre a qual as sociedades são construídas. Nos mitos, Aganju é às vezes tratado como uma divindade primordial, associado à terra (em oposição à água) e às montanhas e vulcões. Do consórcio de Obatalá, o céu, com sua esposa, a terra, nasceram dois filhos: Aganju, a terra firme, e Iemanjá, as águas. Da união com Aganju, Iemanjá deu à luz a Orungã, o ar, o espaço entre a terra e o céu. Aganju não é um Sangò, mas foi incluso aos cultos no candomblé como um Xangô, ele é o deus dos vulcões e montanhas e é um orixá presente na criação da terra, é filho de Sogba, foi rei de Ijesa, foi esse orixá que se casou com Òsún. No Brasil, Aganju, ou Xangô Aganju é considerado uma “qualidade” de Xangô enquanto dono das leis e das escritas e padroeiro dos intelectuais, em contraste com Xangô Agodô (o Xangô mais velho, ou o Xangô propriamente dito), que é principalmente o Orixá da justiça e do equilíbrio.

   Mas Orungã cresce e se apaixona pela linda e sensual Iemanjá. E da união dos dois, o ar e a água, cresce profundo amor. Mas, aflita, Iemanjá um dia se desprende dos braços de Orungã e foge alucinada, desprezando a continuidade daquele amor proibido. Orungã então a persegue, mas, prestes a alcançá-la, Iemanjá se deita. O corpo então cresce e, dos seus seios fartos, nascem dois rios que adiante se reúnem, constituindo uma lagoa. Do seu ventre fértil que se rompe, nascem: Dadá Ajacá, orixá dos vegetais; Xangô, deus do trovão; Ogum, deus do ferro e da guerra; Olokum, deus do mar; Oloxá, deusa dos lagos; Oiá, deusa dos ventos e da tempestade; Oxum, deusa das águas doces do rio Oxum; Obá, deusa do rio Obá; Okô, orixá da agricultura; Okê, deus das montanhas e das pedras; Oxóssi, deus das matas e dos caçadores; Ajê Xaluga, deus da riqueza; Xapanã, orixá da varíola e da saúde; Orum, o sol; e Oxú, a lua.

 Itan de Aganju

   EM um itan de Odu Iwori Meji, numa narrativa segundo a qual, Aganju, por não poder controlar sua incandescência, não podia se aproximar de seus súditos para impor-lhes ordem e disciplina e, desta forma seu reino vivia no caos. Cada um fazia o que bem entendia, e a desordem levava tudo a destruição inevitável. Sabedor que existia um poderoso monarca que não podia controlar seu reino, Sango resolveu procurá-lo e colocar-se a disposição. Depois de dias de viagem, Sango chegou ao reino de Aganju. Quando estava bem próximo, ainda no interior da floresta, Sango ouviu vozes e tratou de se esconder entre as árvores, para observar sem ser notado. Esgueirando-se entre as árvores Sango chegou o mais perto que pode do local de onde vinham as vozes, e viu com grande espanto um homem enorme cujo corpo era revestido por lava incandescente. Este esquisito ser deitado no colo de Osun , vociferava, bradava, esbravejava e se debatia furiosamente, enquanto Osun jogando água em seu corpo em brasa tentava acalma-lo carinhosamente.

 “Acalme-se dizia Osun, quanto mais furioso, mais destrutivo você fica”                                      

“Mas como posso ficar calmo se meu reino esta um caos?”.

 Pelas características Sango deduziu que o gigante seria Aganju. Foi então que pressentindo a presença de alguém estranho, Aganju bradou irritado: “Quem esta ai escondido? Mostre-se ou incendiarei tudo”.

 Calmamente Sango saiu de seu esconderijo e se apresentou:

 “Sou eu, Sango, rei de Oyo”.

-E quem deu permissão para aproximar-se de meu reino? “Perguntou Aganju indignado”.

 -Permissão? “Zombou Sango

– e quem disse que eu preciso permissão de alguém para eu ir onde me der vontade?”

Sou Sango rei de Oyo e vou onde quero e quando quero!

 Cada vez mais furioso Aganju respondeu; – você sabe a que perigo esta se expondo com tanta ousadia, sabe que posso transformá-lo em cinzas agora mesmo?

 -Transformar a mim em cinzas?

 -Mas como, se posso sempre quando quero transformar-me em fogo?

 -Logo se vê o quanto você é estúpido!

 E imediatamente para o espanto de Aganju, Sango se transformou numa enorme labareda.     

– Esta vendo? Eu também sou fogo, mas só quando quero!

 Sem nada entender Aganju limitou-se a perguntar:

– Afinal o que quer de mim, o que veio fazer em meu reino?

 -Vim oferecer-lhe ajuda somente eu posso resolver seu problema!

 -Mas como resolver meu problema? Perguntou Aganju irritado.

 Osun que a tudo assistia, limitava-se a jogar água no corpo do gigante enfurecido, na tentativa de acalma-lo, mas divertia-se com a ousadia de Sango, e de alguma forma previa onde o rei de Oyo pretendia chegar.

 Na verdade seu reino esta em decadência devido à desordem que lá impera, não é verdade? Perguntou Sango.

 -Não é verdade que cada vez que se aproxima de alguém para transmitir suas ordens acaba incinerando o infeliz?

 – Sim, sim, é verdade! Respondeu Aganju, agora trocando a fúria pela curiosidade.

 Mas de que maneira pode me ajudar?

 -É muito simples! Disse Sango sentando-se no que sobrara de um tronco de árvore calcinado por Aganju.

 -Basta fazermos um acordo, que, diga-se de passagem, interessa mais a você do que a mim!

 Desconfiado Aganju perguntou.

 -Que tipo de acordo?

 – Simples! Como você mesmo vê posso me transformar em fogo também, a diferença e que tenho total controle sobre esse fenômeno e você não!

 – Você que não consegue controlar seu próprio poder como vai por seu reino em ordem?

 Desta forma se me der autorização poderei transmitir suas ordens a seus súditos sem causar-lhes nenhum dano!

 O filho do vulcão pensou um pouco e novamente desconfiado pediu a seguinte explicação:

 O problema é só meu e de meu povo, que interesse tem você em ajudar?

 Ai Sango explicou:

 Sou rei de um reino vizinho, temo que a desordem existente no seu reino alastre-se por toda vizinhança e chegue a meus domínios, como uma doença contagiosa!

 E por isso resolvi te oferecer ajuda, nenhum outro interesse a não ser manter a segurança do meu próprio reino me traria diante de você.

 Osun já entendera as intenções do rei de Oyó, limitava-se a esboçar um sorriso misterioso e mal disfarçado.

 Conhecia a fama de Sango e sabia o quanto era astuto, e que por trás de tudo que falava havia outra intenção escondida.

 -Pois bem respondeu Aganju, e de que forma pagarei seus serviços?

 Quanto me custara à intermediação entre meu povo e eu?

 – Não te custara nada, respondeu Sango desviando os olhos do olhar abrasador de Aganju.

 Apenas exijo que você passe a usar as mesmas insígnias que eu, a partir que nosso trato for formalizado, você passara a usar os mesmos símbolos que me representam, e que a partir de então passarão a representá-lo também.

O oxê, machado de duas lâminas, o Xere que imita o ronco do trovão fenômeno que também domino, serão a partir de então símbolos comuns entre nós dois.

 Continuou Sango com sua explicação: desta forma seu povo vendo em minhas mãos as insígnias usadas por você, reconhecerão minha autoridade e acatarão as ordens que irei transmitir.

 Aganju pergunta:

 – Qual a sua opinião Oxun? A Iyagba que já o deixara sozinho e fora sentar-se ao lado de Sango, responde: Acho uma boa proposta e que você não deveria desperdiçar!

 Enquanto expressava sua opinião Osun acariciava maliciosamente as tranças que adornavam a cabeça do rei de Oyo. De um salto Aganju se pôs em pé, no que foi imitado por Sango, aproximando-se pacificamente de seu novo aliado, abraçou-o e disse solenemente: Aceito sua ajuda, e comprometo-me a partir de hoje a usar seus símbolos de poder.

Depois de retribuir o abraço, Sango entregou-lhe o oxê e o xere, e partiu para o reino de Aganju onde através do pacto formalizado, passou a reinar e impor suas leis e ordem independente da vontade de Aganju, seu legítimo rei.  É por isso que Aganju usa as mesmas insígnias de Sango, que usando de astúcia assumiu com seu consentimento o domínio sobre seu povo.

Categorias:Itans

Introdução a Orunmilá Ifá


Ifà

    IFÀ é a forma de adivinhação apresentada por Orunmila Ifá. Existem várias formas de jogo de Ifá, Orúnmila Ifá é uma dessas formas. Orunmila-Ifá é um dos nomes da divindade de Ifá. É certamente o sistema tradicional mais seguro para a confirmação do òrìsà do consulente, isto porque, Orunmilá está presente quando da criação do ser humano, e por este motivo é conhecido como Eléríí Ipín (testemunha a criação). É por isso que o babalawo quando joga, interpreta as lendas indicadas pelo Odu de Ifa, para assim dar as respostas ao consulente, de acordo com a queda do Opele-Ifá. Ele é o segundo braço de Olódúnmaré (Deus criador).

ODÚ

    O Odú contém os vários caminhos determinados que em Yorubá (ese), aleatóriamente distribuídos, não há um número determinado. Um Odu pode possuir um, dois, três, quatro enquanto outro pode possuir cinco caminhos e, assim por diante. A cada um deles corresponde uma história (itan) que auxilia o Babalawo a traduzir e detectar quais os problemas e perfil do ser humano, indicando o ebó (oferendas ao òrìsà) a ser feito caso haja necessidade. É através do odu pessoal que o sacerdote poderá dar ESENTAYE (o primeiro passo da pessoa na terra). Isto determinará qual o Odu, Orisá(s) e os ewos (interdições alimentares e comportamentais) que seguida a corrente, equilibrará o destino da pessoa.

COMO SURGIU O JOGO DE ORUNMILÁ IFÁ

    Como prova de sua indispensabilidade é importante mencionar que, quando Orúnmilá foi enfurecido por um de seus filhos, deixou a terra e foi para o céu (orum). Com a ausência de Orunmila na terra surgiram grandes problemas, a ordem natural de todas as coisas e atividades inverteram-se, quando então, todas as pessoas reclamavam e buscavam alternativas para paz e normalidade. Diante dos conflitos existentes, Orunmila novamente voltou a terra e ao retornar ao orum (céu), deixou Ikin (caroço sagrado) para representá-lo a seus filhos, servindo também para encontrar soluções para todos os problemas existentes na terra. Assim, podemos dizer que Ikin é muito mais que um simples caroço, ele possui extrema importância na transmissão do conhecimento de Orunmila para homens e deuses. Ikin é tão importante que não pode ser visto simplesmente como um caroço. Existe um itan em yorubá que fala: “éni ó ba fi ojú èkùró wo Orunmila Ifá á pá á” (se alguém pensar que Orunmila não é mais do que só um simples caroço, Ifá matará aquela pessoa). A literatura de Ifá, quanto à característica física, mostra Orunmila como um homem baixinho e é por isso que se fala: “Okunrin kukuru Oke Igbeti” (um homem ‘baixinho da cidade de Igbeti).

  

Jogo (sistema de adivinhação de Ifá)

     A transmissão oral do conhecimento é considerada na tradição yorubá como o veículo do ase, o pade, a força das palavras, que permanece sem efeito em texto escrito. As palavras que possam agir precisam ser pronunciadas. O conhecimento transmitido oralmente tem o valor de uma iniciação pelo verbo atuante, uma iniciação que não esta no nível mental da compreensão, porém na dinâmica do comportamento é baseada mais em reflexos que no raciocínio, reflexos estes induzidos por impulsos oriundos do fundamento cultural da sociedade.Também é transmitido pelo Babalawo ( Pai do Segredo) ao Omo ( filho ), do mestre ao discípulo, através de sentenças curtas baseadas no ritmo da respiração sendo repetidas constantemente, tornam-se estereótipos verbais que se transformam em definições aceitas com facilidade.

A importância de Ifà  

    Dentro de sua história Orunmilà é um dos Ifá que Olodumare (Deus Supremo) mandou ao mundo para ser seu representante. Através dele os humanos sabem o amanhã.

Categorias:Ifá

O Caminho


Ifá determina o caminho

Dentro de sua história Orunmilà é um dos Ifá que Olodumare (Deus Supremo) mandou ao mundo para ser seu representante. Através dele os humanos sabem o amanhã. Pra alguns ele estava junto de Olodumare quando este criou o ser humano, por isso que o chamamos de Eleri Ìpin – aquele que vê o destino – porque ele sabe tudo com sua inteligência podendo intervir junto a Olodumare. Ifá é o intermediário entre o homem e Olodumare, por isso é chamado também de Okitiripi a pa ojo iki da, aquele que pode mudar o dia da morte. Seu nome correto é Òrun mó oolà (sabe o amanhã) ou Òrun mó eniti o màa la (sabe se a pessoa vai se salvar). Quando veio ao mundo residiu perto da cidade de Ekìtì, foi para Ado-Ekìtì e depois para Ijesa-Obòkun e finalmente fixou-se em Ile-Ifé.  Ifá conta com Osayin como seu auxiliar em seus feitos, por isso Osanyi é considerado o rei das folhas. Quando Ifá estava ocupado, mandava Osanyi em seu lugar. Outro que fica próximo dele é Èsú. Òrúnmilà é uma entidade que Òlodùmaré mandou para a Terra para ajudar a resolver os problemas dos homens. Orunmila usava Ifá para adivinhar os problemas do homem. Esse Ifá se chama Ikin – parece um caroço de dendê – e ele usava dezesseis ikin para fazer a advinhação. Cada um desses ikin representa um odú.

                                                                                           Odú de Ifá

Èjiogbè

Òyèkú méji

Èdí méji

Òbarà mèji

Ònkonròn mèji

Iròsun mèji

Ìwòrì mèji

Ògundá méji

Òsá mèji

Òsé mèji

Ologbon mèji

Òrète méji

Òturà méji

Orangìn méji

Eká méji

Todos esses odú são diferentes entre si e possuem outros dezesseis. Há algum tempo atrás não se fazia nada na sociedade Yorubá sem consultar antes Ifá. Habitualmente consulta-se Ifá antes de contrair matrimônio e para tirar duvidas a respeito de quaisquer negócios.

A importância de Ifá

Quando nasce uma criança faz-se o jogo para saber o que ela traz consigo, e até seu nome é escolhido por Ifá, bem como sua comida. Se ao dormir alguém sonhar com algo que o incomoda, a maneira de tranqüilizar-se é perguntar a Ifá. Ifá não tem uma data fixa para suas festividades, ele mesmo escolhe seu dia. Usa-se em suas oferendas mariwo, ratos, peixes, cabras, igbin (caracol), galinhas, inhames, obís, etc.

Agbigba ou Òpèlè

Na história, Òpèlé era um dos mensageiros de Òrunmilà quando algo acontecia dentro da cidade. Fatos gerais que afetavam a todos, e às vezes as pessoas o procuravam antes de procurar Ifá e este falava através dele. Quando Olódùmarè foi embora da Terra, o deixou como uma das maneiras de consultá-lo, o Òpèlè- Ifá.

Obì

Algumas pessoas recorrem ao obí para consultar Ifá. A semente utilizada para tal deve possuir quatro partes, duas machos e duas fêmeas. Cada caída tem um significado, e quem sabe ver através deste, já obtém a resposta a cada jogada, como é feito no Ifá.

Ilè – Terra

É outra forma de adivinhação, porém pouco conhecida, mas é uma opção forte e real, pois é sobre a terra que se faz tudo na vida, é onde se constrói uma casa, assassina-se alguém, pratica-se a bondade e a maldade. Nada é feito no mundo que não seja sobre a terra. O jogo de Ile parece-se com o de Ierosun – pó amarelo dedicado a Ifá – mas não é o mesmo, os produtos usados em outros Ifá podem ser os mesmos para este, porém ele não aceita sangue em seu ritual.

Olokun – Búzios

No Brasil existem muitas pessoas que utilizam esse tipo de Ifá, é o chamado jogo de búzios. Na Àfrica a maioria das pessoas que jogam búzios são mulheres. Em cidades como Osogbo Oyo, Ògbomóso, existem muitos que praticam esse tipo de adivinhação, como também em Ijebu, Abeokuta, Òwò e Ekiti. Este é um Ifá forte, pois em algumas regiões Olokun é esposa de Orunmilà (em outras é um Òrisa masculino) e lhe são atribuídos os mesmos nomes que a ele.

Wo – mi – péé

Este tipo de adivinhação só é utilizado por algumas pessoas que possuem uma força extraordinária, podendo ver o futuro e o passado do consulente. O sacerdote deste tipo de Ifá faz rituais nos próprios olhos, mas o problema é que ele não  pode ter medo de nada, pois algumas entidades são vistas, não podendo o sacerdote temê-las. Utiliza-se um espelho mágico.

Olokun Awo

Este tipo de Ifá é feito dentro de uma louça branca e limpa e junto dele trabalha uma criança vestida com panos pretos, auxiliando o sacerdote.

Amuletos/Fetiches (Oogun)

Amuleto

   A magia também exerce função importante nas crenças africanas. Aos sacerdotes são atribuídos poderes mágicos, entre eles o de curar. Muitos africanos (yoruba) usam amuletos para se proteger do mal. Os fetiches (Oogun) podem ter diversos formatos, podem ser desde uma simples pedra a imagens bem esculpidas. Segundo algumas mitologias uma proteção eficaz contra feitiços. Além de quem as usa são portadores de boa sorte. Os africanos utilizam peles de animais, contas e outros materiais para aumentar o poder dessas estatuetas usadas para proteção de residências e prosperidade.

a) Para dormir

Existem receitas para alguém dormir.

b) Para causar insônia

Existem trabalhos para deixar as pessoas com insônias.

c) Para causar e evitar pesadelos

No campo mágico, o babalawo pode enviar pesadelos para pessoas ou protege-las deles.

d) Epe (maldições)

Uma atividade importante e assustadora efetuada pelos babalawos pode ajudar as pessoas ou amaldiçoá-las, podem também protegê-las das maldições.

e) Processos Judiciais (ego)

Os babalawos tanto são capazes de ajudar as pessoas a envolver alguém em um processo judicial quanto de proteger a pessoa já envolvida em um ou mesmo livrá-la do caso.

f) Boa memória (isoye)

Odu Obara Iwori ou Obara Akoye tem um elo com noções de memória ou inteligência.

g) Virilidade (aremo)

Temos magia para acordar um pênis adormecido.

h) Tranqüilidade (ero)

Magias de ero trazem calma e suavidade.

i) Dinheiro (Awure)

Esta é a magia com mais de 16 receitas para obtenção de dinheiro, o que deixa óbvio ser este um desejo importante.

j) Amor das mulheres (awure iferan)

Esta é a magia com mais de 30 receitas para se conseguir uma esposa e ser amado por ela.

k) Filhos (ibimo)

Mais de 175 receitas referentes a ter filhos incluindo remédios para facilitar a concepção para assegurar a gravidez ou evitar o aborto e para que o parto seja fácil.

l) Longevidade (ipê laiye)

Esta é uma magia com mais de 46 receitas para ajudar as pessoas a ficarem na terra por muito tempo.

m) Boa sorte (oriire)

Esta é uma magia com mais de 60 receitas que tem o intuito de atrair a boa sorte.

n) Vitória sobre um inimigo (iségun otá)

Esta é uma magia com mais de 100 receitas para se ter vitória sobre inimigo dentro ou fora de casa ou no local de trabalho.

o) Afoxé

Esta é uma magia chamada afoxé : que a palavra possa tornar-se realidade. E frequentemente pedido pelas pessoas aos babalawos.

Categorias:Ifá

Iniciação


Iniciação de Ifà

 A iniciação no Ile Ifá é determinada pelo Babalawo.

Existem duas formas de iniciação:

 (1) Iniciação Comum = “OMO IFA”

(2) Iniciação para sacerdote = “AWO IFA”

 INICIAÇÃO COMUM

    – é geralmente para a pessoa que não vai tornar-se sacerdote de Ifá, mas precisa de Ifá para mostrar o caminho em sua vida e poderá ser do sexo masculino ou feminino existindo nenhuma discriminação. A iniciação para Orunmila é feita durante o tempo mínimo de 3(três) podendo chegar a até 17 (dezessete) dias, sendo que no terceiro dia (ITA-FA), Orunmila Ifa revela qual o odu da pessoa, que passará a ser um(a) Omo Ifa, e é através deste odu que o babalawo poderá determinar os etutus que esse(a) Omo Ifa, deverá receber além do Oruko (nome) que esta passará a ser chamada.

Obs.: A este tipo de iniciação podem submeter-se todas as pessoas, pois tanto umbandistas, candomblecistas quanto cristãos e muçulmanos, dirigem-se ao Ile Ifa para pedir a iniciação. Estes são iniciados, contudo sem abandonar suas antigas práticas religiosas. Ifa não é preconceituoso e abrange outros grupos sociais, sem desestruturar as suas respectivas linhagens iniciais.

 ASSENTAMENTO DE IFÁ

    Esta pessoa tem acesso a Ifa depois da iniciação através do “Awo Ifá”, ele receberá o Agere Ifá que é o assentamento do Ifa e as orientações a respeito dos Oses que poderão ser semanal, mensal ou anual de acordo ao Odu da pessoa.

 Esu Ifa

    – Ao iniciar, a pessoa recebe também o assentamento de Esu Ifa e é necessário se ter assentado porque Esu é a única entidade (Orisa) que pode ajudar ou prejudicar a pessoa, até o próprio Ifa é alinhado com ele. Depois da iniciação, a pessoa é responsável pelos seus assentamentos individuais e ela poderá cultuá-los sob as orientações do Babalawo.

 INICIAÇÃO PARA O SACERDÓCIO

 AWO IFA

    Para esta iniciação, de qualquer forma, é necessário que se tenha passado primeiro por uma iniciação em Ifa, para que se saiba o caminho da pessoa. Através do odu que sair no ITA (terceiro dia do Ifá) é que se saberá se o (a) Omo Ifa será um sacerdote ou uma sacerdotisa e se assim o for o Babalawo irá orientá-lo(a) no caminho de Ifa, preparando-o(a) para o sacerdócio.

 IPINUDU: é a obrigação feita para Omo Ifa se tornar Awo Ifa, sendo permitido somente aos homens esta obrigação.

 IPINNUDUN AWOLORISA, é a obrigação feita somente por mulheres, Omo Ifa, que serão futuramente Iyalorisa, isso quer dizer que ela vai ter o seu Ile Ifa e somente através do odu que sair para ela, é possível se determinar o Orisa que ela vai ser iniciada. Constatado o nome do Orisa, é que se pode dar o nome de sua casa.

Por exemplo:

 Se o odu dela é ligado a Osun, ela vai ser iniciada na Osun e a casa dela poderá se chamar Ile Olosun.Obs: Ela pode por determinação ou regra da sua casa mandar o filho ou a filha passar ou não por Ifá antes do Orisa. Em nossa tradição não se inicia a outros Orisás sem passar pela iniciação de Orunmila Ifa. Assim, os Olorisas que possuem tal caminho no culto dos Orisas, devem sempre, antes de iniciar seus Eleguns, Yaos, Oyes, Alayan, passá-los pela iniciação do Ifá para poderem obter o Odu individual deste adepto e através do Babalawo serem orientados sobre qual o melhor caminho da iniciação do(s) filho(s).

Igbo Odu e Igbo Ifa

   Igbo Odu (Floresta do Odu)

  O ritual de Igbo Odu (Floresta de Odu) é um importante ritual que a pessoa iniciada em Ifa deverá passar. A pessoa deverá faze-lo para pedir a Odu tudo de bom na vida dela.

O que é Odu?

   Odu é um dos Irunmolés que vieram do Orun ao Aiye na criação da terra. Dentre estes Irunmoles estão Osala, Ogun e Obaluaiye. Odu, um orisa feminino e os itans falam que ela é uma das primeiras mulheres que vieram para Terra. Como os itans também afirmam é a primeira mulher a ter um marido no Orun e no Aiye.

   A história fala para nós que o Odu que saiu para Orunmilá antes de casar com Odu chama-se Obara Meji. “Ore kò gba ele ta, eleji ni ore gbà” – Se Orunmilá casar-se com Odu não poderá casar-se com nenhuma outra mulher, Odu exigiu esta ewo para Orunmilá caso se casasse com ela, mas Orunmilá não conseguiu cumprir esta determinação.

 CUMPRIMENTO NO ILÈ IFÁ

     Quando uma pessoa se torna Babalawo significa que Ifá está encostado nele e é ele quem enfrenta qualquer negatividade que uma pessoa ou “Omo Ifa” carrega, por isto ele merece um grande respeito e não pode ser chamado pelo nome. A partir do momento que ele é preparado para brigar por sua liberdade, ele torna-se seu pai e deve ser chamado de Baba abreviação de Babalawo.

Obs.: Ele não pode ser chamado pelo nome.

Cumprimento no dia a dia:

Baba, Aboru boye

 Tradução:

 Baba, saudação

 Resposta do Baba:

 A boye bosise A gbo a to

 Tradução:

 Tudo de bom pra você, tenha boa saúde e prosperidade.

 (Geralmente com a cabeça no chão).

A boru

 A boye

 A bosise

Categorias:Ifá

Introdução as Nações


Nações do Candomblé

     A palavra nação é usada no candomblé para distinguir seus segmentos, diferenciados pelo dialeto utilizado nos rituais, o toque dos atabaques, a liturgia. A nação também indica a procedência dos escravos que lhe deram origem na nova terra e das divindades por eles cultuadas. As civilizações sudanesas, por exemplo, são representadas pelo grupo yorubá, também conhecido como Nagô, por sua vez representado pelas nações:

-Ketu -Efan -Ijexá -Nagô Egbá -Batuque do Rio Grande do Sul -Xambá de Pernambuco.

     O grupo dos daomeanos é representado pelas nações jeje:

-Fon -Éwé -Mina -Fanti -Ashanti e outros menores como Krumans, Agni, Nzema, timini.

     As civilizações islamizadas são representadas por Fulas (peuhls), Mandingas, Haúça e, em menor número, Tapa, Bornu, Gurunsi ou Grunci.

     As civilizações bantos do grupo angola-congolês são representadas pelos ambundas de Angola (cassanges, bangalas, in-bangalas, dembos), os congos ou cabindas do estuário do Zaire e os benguela com diversas tribos escravizadas.

     As civilizações bantu da Contra-Costa são representadas pelos moçambiques (macuas e angicos), tendo sido o grupo Bantu reduzido às nações:

-Candomblé Bantu Angola -Congo -Cabinda.

No começo do período escravagista, todos os escravos vindos da África eram chamados de negros de Guiné, pois no século XVI a Guiné se estendia de Senegal a Orange. Esses guinés deveriam ser autênticos bantus. A escravidão dividiu as sociedades africanas em todos os sentidos. O africano, com o fim das linhagens, dos clãs, das aldeias, da realeza, se apegou ainda mais aos seus deuses e ritos, uma vez que foi a única coisa que restou de suas regiões de origem. Guardiões da cultura oral, os escravos guardaram em sua memória os movimentos de dança, os toques dos atabaques, a comida ritual, as rezas e cânticos, na nova terra chamados de Cantiga no candomblé e pontos cantados na Umbanda. O silêncio, o segredo (calundus) e o isolamento armado em quilombos e mocambos são formas de resistência e esperança de reconstituir na nova terra seus ritos, costumes e hierarquia. A resistência dos negros ao regime de subordinação ou exploração do qual foram vítimas encontram portas abertas na religião, nos quilombos, confrarias e santidades, locais de reuniões assim chamados antes de receberem o nome de candomblés que também foram usados como esconderijo.

Categorias:As Nações

Ketu (Nagô)


Ketu

      É a maior e a mais popular “nação” do Candomblé, uma das Religiões afro-brasileiras. No início do século XIX, as etnias africanas eram separadas por confrarias da Igreja Católica na região de Salvador, Bahia. Dentre os escravos pertencentes ao grupo dos Nagôs estavam os Yoruba (Iorubá). Suas crenças e rituais são parecidos com os de outras nações do Candomblé em termos gerais, mas diferentes em quase todos os detalhes. Teve inicio em Salvador, Bahia, de acordo com as lendas contadas pelos mais velhos, algumas princesas vindas de Oyó e Ketu na condição de escravas, fundaram um terreiro num engenho de cana. Posteriormente, passaram a reunir-se num local denominado Barroquinha, onde fundaram uma comunidade de Jeje-Nagô pretextando a construção e manutenção da primitiva Capela da Confraria de Nossa Senhora da Barroquinha, atual Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha que, segundo historiadores, efetivamente conta com cerca de três séculos de existência. No Brasil Colônia e depois, já com o país independente mas ainda escravocrata, proliferaram irmandades. “Para cada categoria ocupacional, raça, nação – sim, porque os escravos africanos e seus descendentes procediam de diferentes locais com diferentes culturas – havia uma. Dos ricos, dos pobres, dos músicos, dos pretos, dos brancos, etc. Quase nenhuma de mulheres, e elas, nas irmandades dos homens, entraram sempre como dependentes para assegurarem benefícios corporativos advindos com a morte do esposo. Para que uma irmandade funcionasse, diz o historiador João José Reis, precisava encontrar uma igreja que a acolhesse e ter aprovados os seus estatutos por uma autoridade eclesiástica”.

 Muitas conseguiram construir a sua própria Igreja como a Igreja do Rosário da Barroquinha, com a qual a Irmandade da Boa Morte manteve estreito contato. O que ficou conhecido como devoção do povo de candomblé. O historiador cachoeirano Luiz Cláudio Dias Nascimento afirma que os atos litúrgicos originais da Irmandade de cor da Boa Morte eram realizados na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, templo tradicionalmente freqüentado pelas elites locais. Posteriormente as irmãs transferiram-se para a Igreja de Santa Bárbara, da Santa Casa da Misericórdia, onde existem imagens de Nossa Senhora da Glória e da Nossa Senhora da Boa Morte. Desta, mudaram-se para a bela Igreja do Amparo desgraçadamente demolida em 1946 e onde hoje encontram-se moradias de classe média de gosto duvidoso. Daí saíram para a Igreja Matriz, sede da freguesia, indo depois para a Igreja da Ajuda. O fato é que não se sabe ao certo precisar a data exata da origem da Irmandade da Boa Morte. Odorico Tavares arrisca uma opinião: a devoção teria começado mesmo em 1820, na Igreja da Barroquinha, tendo sido os Jejes, deslocando-se até Cachoeira, os responsáveis pela sua organização. Outros ressaltam a mesma época, divergindo quanto à nação das pioneiras, que seriam alforriadas Ketu. Parece que o “corpus” da irmandade continha variada procedência étnica já que fala-se em mais de uma centena de adeptas nos seus primeiros anos de vida.

    Essas confrarias eram os locais onde se reuniam as sacerdotisas africanas já libertas (alforriadas) de várias nações, que foram se separando conforme foram abrindo os terreiros. Na comunidade existente atrás da capela da confraria foi construído o Candomblé da Barroquinha pelas sacerdotisas de Ketu que depois se transferiram para o Engenho Velho, ao passo que algumas sacerdotisas de Jeje deslocaram-se para o Recôncavo Baiano para Cachoeira e São Félix para onde transferiram a Irmandade da Boa Morte e fundaram vários terreiros de candomblé jeje sendo o primeiro Kwé Cejá Hundé ou Roça do Ventura. O Candomblé Ketu ficou concentrado em Salvador. Depois da transferência do Candomblé da Barroquinha para o Engenho Velho passou a se chamar Ilê Axé Iyá Nassô mais conhecido como Casa Branca do Engenho Velho sendo a primeira casa da nação Ketu no Brasil de onde saíram as Iyalorixás que fundaram o Ilê Axé Opô Afonjá e o Ilê Iya Omin Axé Iyamassé, o Terreiro do Gantois.

CARGOS MAIS COMUNS DENTRO DO CANDOMBLÉ

babalorisa – pai de santo detém o axé

yalorisa – mãe de santo detém o axé

 babaquequere – pai pequeno

 yaquequere – mãe pequena

 Pejigã – cuida das coisas do roncó

 Yia Dagã – pessoa que despacha eshu e padês

 yabacê – pessoa que cozinha para os orixás

 ogan alabê – pessoa que canta o candomblê

 ogan axogun – pessoa que sacrifica os animais

 êkedji – mãe que o orixá escolheu e confirmou .

 NOME DOS TOQUES DOS ORIXÁS

 Alujá – SANGÔ

 Agerê – ODE

 Opanigê – OMULU/ OBALUAIE

 Bravum – BESSÉM

 Ijeshá – OXUM – LOGUM EDÉ – OXALÁ

 Ilú – IANSÃ – OBÁ

Egó – YANSAN

Aderê – YEMONDJA

Batá – OGUN – ESU

NOME DOS ATABAQUES

rum – o maior

rumpi – o médio

lé – o menor

o agogô de Kêtu chama-se gan.

as varinhas usadas para toque chamam-se aguidavis.

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Efon (Nagô)


     Efan ou Efon  

EFON

UMA CASA, UMA NAÇÃO

     Falar de uma nação de Candomblé no Brasil e sua origem, assim como a origem de qualquer casa antiga é sempre muito difícil, pois nos primórdios dessas casas não haviam registros escritos, tudo era transmitido oralmente e com isso fica muito difícil fazer um estudo exato de como tudo começou. De uma forma simples e resumida tentaremos contar a história da casa que é o berço dos Efon no Brasil, o “Asé Yangba Oloroke ti Efon” ou simplesmente como é chamado o Terreiro do Oloroke situado à Rua Antônio Costa (antiga travessa de Oloke) nº 12, no bairro do Engenho Velho de Brotas – Salvador – Bahia, para que quando alguém ouvir falar de nosso Asé, saibam quem somos e de onde viemos.

     Em primeiro lugar vamos à origem na África, mais exatamente em Ekiti-Efon (não confundir com Ilê Ifon, a terra de Osalufon) de onde vem um termo muito usado entre os Efon no Brasil “Lu Lokiti Efon” e onde reina absoluta aquela que é a rainha da nação no Brasil, Efon, ou seja, Osun, pois é bom esclarecer que Osun, nossa matriarca, é nascida em Ekiti-Efon, onde ela era considerada a mãe de Yemonja e do Awujale de Ijebu-Ere, no estado de Ekiti (Onadele Epega). Para concluir podemos traduzir o nome da divindade Efon dos tempos Lailai como sendo Osun, nome de seu rio e onde guardava seus tesouros, companheira inseparável de Oloroke que é seu pai, ficando assim esclarecido o porque da casa chamar-se terreiro do Oloroke e Osun ser a dona do Asé, sendo ele louvado juntamente com Osun nos nossos principais ritos.

     Pois bem, foi desta localidade, que veio para o Brasil na condição de escravos por volta de 1850 um Tio Africano conhecido como Baba Irufa, filho de Osun e iniciado para Ifá, portanto um Babalawo que no Brasil passou a chamar-se José Firmino dos Santos ou tio Firmo, juntamente com uma princesa do Ekiti-Efon de nome Adebolui iniciada em sua terra natal para o orixá Oloke, que no Brasil passou a chamar-se Maria Bernarda da Paixão, a Maria Violão,alcunha que ganhou por ter um corpo muito bonito, e é dito ainda por uma fonte do Axé Pantanal do falecido Cristóvão Lopes dos Anjos, que veio ainda junto com eles uma filha de Tio Firmo que atendia pelo nome de Asika, a existência desta Asika não é confirmada em Salvador por algumas pessoas antigas ligadas ao Asé. Existe outra possibilidade de que Baba Irufa e Asika sejam a mesma pessoa, sendo Baba Irufa seu titulo de Ifá e Baba Asika seu nome ou ainda outro titulo. Mesmo antes de serem libertos já promoviam encontros e Maria Bernarda da Paixão participavam de encontros, pois faziam parte da Irmandade da Igreja da Barroquinha (pesquisa de campo em Salvador) onde se reuniam os fundadores da Casa Branca do Engenho Velho e segundo pessoas antigas, Maria Bernarda da Paixão era prima carnal da primeira Yalorisa da Casa Branca.

     Por volta de 1860 Tio Firmo e Maria Bernarda fundam o Asé Oloroke no endereço acima citado no engenho velho de Brotas, onde se encontra até hoje, plantando ali o Asé de Osun e com isto além de fundar uma casa fundam também a Nação Efon. Mais tarde tio Firmo passa a viver maritalmente com Maria Bernarda da Paixão que era sua governanta e passam a dividir as funções do Asé. Acredita-se que nesta época ambos já eram libertos. Os Igbas ou assentamentos dos orixás foram trazidos da África e estão até a presente data preservados no Ilê. La encontra-se a Osun de Tio Firmo e Oloke de Maria Bernarda entre outros. Apesar da libertação dos escravos, a perseguição a cultos Afros foi intensa e conta-se que Tio Firmo foi preso por várias vezes. A árvore do Iroko, um dos símbolos da casa, foi plantada após a libertação dos escravos, mas bem no final do século XIX, e a muda do Iroko veio da Casa de Osumare. Outra história interessante do Iroko do terreiro do Oloroke, é que onde ele foi plantado era caminho das pessoas, pois ainda não haviam muros nem cercas e foi debaixo do Iroko da casa, que a finada Mãe Runho da nação Jeje deu a luz a Nicinha Lokosi e esta informação pode ser confirmada por Nenê de Osagiyan neto carnal de Runho e por outros antigos ligados ao Bogun. Por volta de 1905 morre tio Firmo que ainda em vida já tinha passado a casa para Maria Violão, sendo esta a segunda pessoa a sentar-se como mãe da casa.

     Maria Violão iniciou várias pessoas entre os quais podemos citar Mãe Milu que foi a Ya kekere do Asé, Matilde de Jagun (Baba Oluwa) sua sucessora e terceira mãe da casa, Cristóvão Lopes dos Anjos de Ogun Já, Ogan e mais tarde Asogun sendo também o Olowo do Ilê e a quarta pessoa a governar o Asé, Celina de Yemonja (esposa de Cristóvão), Paulo de Sango, filho carnal de Mãe Milu, Crispina de Ogun, a quinta pessoa a governar o Asé, e muitos outros. No dia 4 de outubro de 1936 morre Maria Bernarda da Paixão aos 94 anos de idade. Após muitas divergências assume a casa Matilde de Jagun, Baba Oluwa, que fez muitos iyawo entre os quais Noélia de Osun e Emiliana também de Osun. Mãe Matilde vem a falecer no dia 30 de outubro de 1970 aos 67 anos de idade.

     Após o falecimento de Matilde quem assume a casa é Cristóvão de Ogun que faleceu no dia 23 de setembro de 1985 aos 83 anos de idade. Após a morte de Cristóvão, graças ao esforço de Maria de Sango (sua herdeira no Asé Pantanal), sentou-se na cadeira de Yalorisa do Terreiro do Oloroke, Mãe Crispina de Ogun e Mãe Maria de Sango foi quem dirigiu os ritos de posse da nova Yalorisa. Após a morte de Mãe Crispina, a cadeira está à espera de uma nova Yalorisa até a data de hoje. Bem, não podemos nos esquecer de duas casas tradicionais de Efon a quem nós, os Omo Efon, devemos muito. Uma das casas já completou 50 anos de fundação, é o ‘Asé Pantanal’ como é conhecido e dirigido pela Yalorisa Maria de Sango. A Outra casa que também é um reduto de Efon é o “Ilê Ifá Monjé Gibanawe” do conhecido Babalorisa Alvinho de Omolu.

     Aqui esta um pouco de nossa história, e aproveitamos o ensejo para desejar a todos os filhos, netos, bisnetos e todas as gerações do Asé assim como aos amigos e simpatizantes, sejam felizes, convivam com paz e harmonia e muita fraternidade na graça de Osun e Oloroke. Asé a todos.

Lu Lokiti Efon

Lokiti yemi

Lokiti yemu

Lokiti awo

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