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Orísá Aganjú


Mitologia Yorubá

 Oríxá Aganju

   Na mitologia Yorubá, Aganju é o Orixá dos vulcões e desertos. Como o terceiro orixá designado para vir para a Terra, Aganju é uma divindade primordial. Aganju é a força que, como o Sol, que é um de seus símbolos, é essencial para o crescimento, assim como um cultivador das civilizações. Como o vulcão com que é associado, ele forma a base sobre a qual as sociedades são construídas. Nos mitos, Aganju é às vezes tratado como uma divindade primordial, associado à terra (em oposição à água) e às montanhas e vulcões. Do consórcio de Obatalá, o céu, com sua esposa, a terra, nasceram dois filhos: Aganju, a terra firme, e Iemanjá, as águas. Da união com Aganju, Iemanjá deu à luz a Orungã, o ar, o espaço entre a terra e o céu. Aganju não é um Sangò, mas foi incluso aos cultos no candomblé como um Xangô, ele é o deus dos vulcões e montanhas e é um orixá presente na criação da terra, é filho de Sogba, foi rei de Ijesa, foi esse orixá que se casou com Òsún. No Brasil, Aganju, ou Xangô Aganju é considerado uma “qualidade” de Xangô enquanto dono das leis e das escritas e padroeiro dos intelectuais, em contraste com Xangô Agodô (o Xangô mais velho, ou o Xangô propriamente dito), que é principalmente o Orixá da justiça e do equilíbrio.

   Mas Orungã cresce e se apaixona pela linda e sensual Iemanjá. E da união dos dois, o ar e a água, cresce profundo amor. Mas, aflita, Iemanjá um dia se desprende dos braços de Orungã e foge alucinada, desprezando a continuidade daquele amor proibido. Orungã então a persegue, mas, prestes a alcançá-la, Iemanjá se deita. O corpo então cresce e, dos seus seios fartos, nascem dois rios que adiante se reúnem, constituindo uma lagoa. Do seu ventre fértil que se rompe, nascem: Dadá Ajacá, orixá dos vegetais; Xangô, deus do trovão; Ogum, deus do ferro e da guerra; Olokum, deus do mar; Oloxá, deusa dos lagos; Oiá, deusa dos ventos e da tempestade; Oxum, deusa das águas doces do rio Oxum; Obá, deusa do rio Obá; Okô, orixá da agricultura; Okê, deus das montanhas e das pedras; Oxóssi, deus das matas e dos caçadores; Ajê Xaluga, deus da riqueza; Xapanã, orixá da varíola e da saúde; Orum, o sol; e Oxú, a lua.

 Itan de Aganju

   EM um itan de Odu Iwori Meji, numa narrativa segundo a qual, Aganju, por não poder controlar sua incandescência, não podia se aproximar de seus súditos para impor-lhes ordem e disciplina e, desta forma seu reino vivia no caos. Cada um fazia o que bem entendia, e a desordem levava tudo a destruição inevitável. Sabedor que existia um poderoso monarca que não podia controlar seu reino, Sango resolveu procurá-lo e colocar-se a disposição. Depois de dias de viagem, Sango chegou ao reino de Aganju. Quando estava bem próximo, ainda no interior da floresta, Sango ouviu vozes e tratou de se esconder entre as árvores, para observar sem ser notado. Esgueirando-se entre as árvores Sango chegou o mais perto que pode do local de onde vinham as vozes, e viu com grande espanto um homem enorme cujo corpo era revestido por lava incandescente. Este esquisito ser deitado no colo de Osun , vociferava, bradava, esbravejava e se debatia furiosamente, enquanto Osun jogando água em seu corpo em brasa tentava acalma-lo carinhosamente.

 “Acalme-se dizia Osun, quanto mais furioso, mais destrutivo você fica”                                      

“Mas como posso ficar calmo se meu reino esta um caos?”.

 Pelas características Sango deduziu que o gigante seria Aganju. Foi então que pressentindo a presença de alguém estranho, Aganju bradou irritado: “Quem esta ai escondido? Mostre-se ou incendiarei tudo”.

 Calmamente Sango saiu de seu esconderijo e se apresentou:

 “Sou eu, Sango, rei de Oyo”.

-E quem deu permissão para aproximar-se de meu reino? “Perguntou Aganju indignado”.

 -Permissão? “Zombou Sango

– e quem disse que eu preciso permissão de alguém para eu ir onde me der vontade?”

Sou Sango rei de Oyo e vou onde quero e quando quero!

 Cada vez mais furioso Aganju respondeu; – você sabe a que perigo esta se expondo com tanta ousadia, sabe que posso transformá-lo em cinzas agora mesmo?

 -Transformar a mim em cinzas?

 -Mas como, se posso sempre quando quero transformar-me em fogo?

 -Logo se vê o quanto você é estúpido!

 E imediatamente para o espanto de Aganju, Sango se transformou numa enorme labareda.     

– Esta vendo? Eu também sou fogo, mas só quando quero!

 Sem nada entender Aganju limitou-se a perguntar:

– Afinal o que quer de mim, o que veio fazer em meu reino?

 -Vim oferecer-lhe ajuda somente eu posso resolver seu problema!

 -Mas como resolver meu problema? Perguntou Aganju irritado.

 Osun que a tudo assistia, limitava-se a jogar água no corpo do gigante enfurecido, na tentativa de acalma-lo, mas divertia-se com a ousadia de Sango, e de alguma forma previa onde o rei de Oyo pretendia chegar.

 Na verdade seu reino esta em decadência devido à desordem que lá impera, não é verdade? Perguntou Sango.

 -Não é verdade que cada vez que se aproxima de alguém para transmitir suas ordens acaba incinerando o infeliz?

 – Sim, sim, é verdade! Respondeu Aganju, agora trocando a fúria pela curiosidade.

 Mas de que maneira pode me ajudar?

 -É muito simples! Disse Sango sentando-se no que sobrara de um tronco de árvore calcinado por Aganju.

 -Basta fazermos um acordo, que, diga-se de passagem, interessa mais a você do que a mim!

 Desconfiado Aganju perguntou.

 -Que tipo de acordo?

 – Simples! Como você mesmo vê posso me transformar em fogo também, a diferença e que tenho total controle sobre esse fenômeno e você não!

 – Você que não consegue controlar seu próprio poder como vai por seu reino em ordem?

 Desta forma se me der autorização poderei transmitir suas ordens a seus súditos sem causar-lhes nenhum dano!

 O filho do vulcão pensou um pouco e novamente desconfiado pediu a seguinte explicação:

 O problema é só meu e de meu povo, que interesse tem você em ajudar?

 Ai Sango explicou:

 Sou rei de um reino vizinho, temo que a desordem existente no seu reino alastre-se por toda vizinhança e chegue a meus domínios, como uma doença contagiosa!

 E por isso resolvi te oferecer ajuda, nenhum outro interesse a não ser manter a segurança do meu próprio reino me traria diante de você.

 Osun já entendera as intenções do rei de Oyó, limitava-se a esboçar um sorriso misterioso e mal disfarçado.

 Conhecia a fama de Sango e sabia o quanto era astuto, e que por trás de tudo que falava havia outra intenção escondida.

 -Pois bem respondeu Aganju, e de que forma pagarei seus serviços?

 Quanto me custara à intermediação entre meu povo e eu?

 – Não te custara nada, respondeu Sango desviando os olhos do olhar abrasador de Aganju.

 Apenas exijo que você passe a usar as mesmas insígnias que eu, a partir que nosso trato for formalizado, você passara a usar os mesmos símbolos que me representam, e que a partir de então passarão a representá-lo também.

O oxê, machado de duas lâminas, o Xere que imita o ronco do trovão fenômeno que também domino, serão a partir de então símbolos comuns entre nós dois.

 Continuou Sango com sua explicação: desta forma seu povo vendo em minhas mãos as insígnias usadas por você, reconhecerão minha autoridade e acatarão as ordens que irei transmitir.

 Aganju pergunta:

 – Qual a sua opinião Oxun? A Iyagba que já o deixara sozinho e fora sentar-se ao lado de Sango, responde: Acho uma boa proposta e que você não deveria desperdiçar!

 Enquanto expressava sua opinião Osun acariciava maliciosamente as tranças que adornavam a cabeça do rei de Oyo. De um salto Aganju se pôs em pé, no que foi imitado por Sango, aproximando-se pacificamente de seu novo aliado, abraçou-o e disse solenemente: Aceito sua ajuda, e comprometo-me a partir de hoje a usar seus símbolos de poder.

Depois de retribuir o abraço, Sango entregou-lhe o oxê e o xere, e partiu para o reino de Aganju onde através do pacto formalizado, passou a reinar e impor suas leis e ordem independente da vontade de Aganju, seu legítimo rei.  É por isso que Aganju usa as mesmas insígnias de Sango, que usando de astúcia assumiu com seu consentimento o domínio sobre seu povo.

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Categorias:Itans