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Archive for the ‘Orixás’ Category

Orisá Aganjú


Orisá Aganjú 

 

Aganju é o Orixá da terra inculta, Senhor do Vulcão, o Senhor das Cavernas, O Barqueiro Divino.

 

Aganju é um doador de força e de saúde. Aganju é o transportador da carga (os ombros e as costas pertencem a Aganju) é o defensor dos menos favorecidos, oprimidos e escravizados. Há quem diga que Aganju não é um Orisa, mas sim uma força de vida que supera os obstáculos e faz o impossível. Aganju fornece acesso ao reino do desconhecido, as profundezas do qual o mundo foi e é criado, (Okun, “A obscuridade”, o reino de Olokun). Aganju é o governante que proporciona acesso a todas as áreas inexploradas, inacessíveis. Aganju é o governante que proporciona acesso a climas hostis e potencialmente hostis à existência humana deserto, floresta, Ártico, Antártico, a altura das montanhas, grutas, cavernas, abismos, minas, etc. Aganju pode ser traduzido como: Agan = estéril, ju = deserto, ou mais precisamente como: local desconhecido, inexplorado, desabitado. Todos os lugares onde só os mais cordiais e / ou sobrevivem pessoas melhor preparadas. Aganju se encontra nas profundezas do oceano, nas profundezas do espaço, na energia que não foi explorada, na compreensão da mente e da emoção. Aganju é o guardião o canal através do qual profundidades inexplicáveis das emoções humanas são vividas e expressas, (boca e garganta são Aganju). Obscuro, intestino com distúrbio doloroso, absurdo e irracional, medos paralisantes são do âmbito de Aganju, é através de Aganju que aprendemos a superar nossos medos. Quentes emoções perigosas, mortal, incontrolados e incontroláveis é Aganju; e por meio de Aganju que aprendemos a canalizar e redirecioná-las. Aganju tem uma estreita relação com Osun. Eles estão ligados de diversos modos: pela emoção Aganju é a profundidade da emoção em estado bruto, encarnação grosseiro rude. Enquanto Osun é a profundidade da emoção em sua comovente, doce / amargo doce encarnação. Aganju explora, supera e vence o rio acima, Osun promove o comércio e as relações sociais, pelos mesmos meios. Aganju supera barreiras e obstáculos para ver o que está do outro lado. Osun planta a cultura e traz à luz da civilização. Aganju é o proprietário do rio. E o deu para Osun. Houve um tempo em que Osun não tinha lugar para viver. Nenhum outro ORISA lhe ajudaria. Aganju viu que Osun necessitava de ajuda. Então ele deu o rio a ela como lar. Aganju é a abertura a novas possibilidades inexploradas, inesperado. Aganju é a abertura do todas as riquezas do mundo. As riquezas minerais de minas terrestres e a mineração de todos os tipos pertencem a Aganju (mas é através da tecnologia de Ogun que a humanidade pode acessá-la e buscá-la). Aganju é o desafio, a luta de impedir, e desejo que leva para superá-los. Aganju é primordial e não o homem do fogo de todos os tipos, o Sol e outras estrelas e cometas. Um dos nomes do louvor a Aganju é Irawo, que pode ser traduzido como uma estrela. O fogo nas entranhas da terra, geotérmica, gêiseres, fontes termais, etc. Vulcões (Oke onine, Montanhas de Fogo) é um símbolo importante de Aganju.

Vulcões, conforme definido pelo World Book Encyclopedia são aberturas “terra superfície através da qual os gases de lava quente e fragmentos de rocha explodem”.

¹… Os mitos o descrevem como “O Gigante entre os Òrìsà… seria filho de Oro Iná divindade que em algumas regiões esta considerado como uma divindade masculina e em outras femininas, cujo o qual habita as câmera de magmas, situadas no interior da crosta terrestre… Os antigos o descrevem como “O Temível entre todos”… Divindade de caráter forte, tempestuoso, colérico e belicoso… As forças da natureza que lhe pertencem são representações de sua tremenda energia, como a potência dos rios que dividem territórios, a lava vulcânica que percorre a crosta terrestre, os terremotos e o impulso que faz a Terra girar em torno de seu eixo… Recebe o título de Òkèrè ao tornar-se esposo de Yemoja… Aganjú representando os raios solares, Olókun as águas salgadas e Olósa as águas doces, celebram um pacto entre eles, em manter o equilíbrio da atmosfera do planeta, afim de que seja possível o ciclo vital de todos os seres… Aganjú foi o quarto Aláàfin Óyó, embora existam mitos que o descrevem que ele reinou em Sakí, cidade vizinha de Ìséyìn a noroeste de Òyó… O reinado de Aganjú foi longo e próspero… Ele tinha o dom de domar animais selvagens e as serpentes venenosas… Dentro de seu palácio mantinha um Ekún – Leopardo, seu animal de estimação, sobretudo o símbolo da coragem, que costumara encostar seus pés como se fosse uma esteira, daí recebendo o epíteto de Ekùn Olóju Iná – Leopardo dos olhos de fogo e Ekún f’eninjú tànná – Leopardo de olhos fulgurantes… Foi o primeiro a agregar o pátio na parte da frente de detrás do palácio para a celebração de ritos… Embelezou todo o palácio, ornamentou postes esculpidos em bronze, assim originando o costume de colocar colgantes (pingentes) como adornos de acordo com a ocasião festiva, contudo sendo um soberano de gostos muitos refinados…(¹parte do texto escrito por Baba Guido)

Foi o terceiro orixá designado para vir para a Terra, Aganju é uma divindade primordial. Aganju é a força que, como o Sol, que é um de seus símbolos, é essencial para o crescimento, assim como um cultivador das civilizações. Como o vulcão com que é associado, ele forma a base sobre a qual as sociedades são construídas. Nos mitos, Aganju é às vezes tratado como uma divindade primordial, associado à terra (em oposição à água) e às montanhas e vulcões. Do consórcio de Obatalá, o céu, com sua esposa, a terra, nasceram dois filhos: Aganju, a terra firme, e Iemanjá, as águas. Da união com Aganju, Iemanjá deu à luz a Orungã, o ar, o espaço entre a terra e o céu. AGANJU NÃO É UM SANGÒ, MAS FOI INCLUSO AOS CULTOS NO CANDOMBLÉ COMO UM XANGÔ, ELE É O DEUS DOS VULCÕES E MONTANHAS E É UM ORIXÁ PRESENTE NA CRIAÇÃO DA TERRA, é filho de Sogba, foi rei de Ijesa, foi esse orixá que se casou com Òsún. No Brasil, Aganju, ou Xangô Aganju é considerado uma “qualidade” de Xangô enquanto dono das leis e das escritas e padroeiro dos intelectuais, em contraste com Xangô Agodô (o Xangô mais velho, ou o Xangô propriamente dito), que é principalmente o Orixá da justiça e do equilíbrio. Aganju come bode castrado, diferentemente de Xango que come carneiro. Aganju tem forte fundamento com Ogum. Sua veste é toda azul com vermelho. Carrega na mão um machado e na outra uma espada. Come amalá com gotas de dendê e azeite doce, ajabo normal. Primeiro se dá comida a Xangô e depois a Ogum.

 

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Òrìsá Èsú



Èsú
É um Òrìsá difícil de ser definido de maneira coerente. Ele
gosta de gerar disputas e provocar acidentes. É grosseiro, vaidoso, indecente,
a tal ponto que os primeiros missionários, assustados, comparam-no ao Diabo. A
presença de ÈSÙ esta no membro ereto do macho, na penetração da fêmea, na
ejaculação, na primeira célula que está em formação, na paixão, no desprezo, no
engano, na dor, no consumo de álcool e tóxico. Porém, ÈSÙ possui o lado bom e,
se ele é tratado com consideração, reage mostrando-se serviçal e prestativo.
Se, ao contrário, esquecerem de lhe oferecer sacrifícios e oferendas, podem
esperar catástrofes. Desta forma, revela-se o mais humano dos Òrìsás, nem
completamente mau, nem completamente bom. Històricamente, ÈSÙ teria sido um dos
companheiros de ODÙDUWÀ, princípio feminino, quando da sua chegada a IFÉ, e
chamava-se ÈSÙ OBASIN. Tornou-se mais tarde, um dos assistentes de ÒRÚNMÌLÀ,
que preside a adivinhação pelo sistema de IFÁ e rei de KÉTU, sob o nome de ÈSÙ
ALÁKÉTU. Como ÒRÌSÀ, diz-se que ele veio ao mundo com um porrete, chamado OGÒ,
que teria a propriedade de transportá-lo, em algumas horas, a centenas de
quilômetros e atrair, por um poder magnético, objetos situados a distâncias grandes.
ÈSÙ é o guardião dos templos, casas, cidades e das pessoas e serve de
intermediário entre os homens e os deuses. Por esta razão é que nada se faz sem
ele e sem que oferendas lhe sejam feitas, antes de qualquer outro Òrìsá, para
evitar suas tendências a provocar mal-entendidos entre os seres humanos e em
suas relações com os deuses e dos deuses entre si. Tem o título de ASIWAJU,
quer dizer: aquele que vai à frente de todos e o primeiro a ser servido. Devido
ao sincretismo, relacionando ÈSÙ ao diabo, os zeladores evitam consagrá-lo em
seus eleitos. Quando ele se manifesta é acalmado, fixado, com oferendas e
sacrifícios; procedendo a iniciação do eleito para seu irmão ÒGÚN, que também
tem caráter violento e arrebatado.
 Sua saudação: ÈSÙ YÈ, LARÓYÈ, quer dizer: Viva EXU ou Salve
EXU.
QUALIDADES LALU
LENDA (Itan)
 
 
ELEGBARA
É o mesmo ÈSÙ YANGI, também chamado de IGBÁKETA BARAKETU
OBÁ. É o mais velho, a primeira forma a surgir no mundo. É o dono do poder
dinâmico do processo da multiplicação dos seres. Está ligado tanto ao ancestral
masculino como ao feminino. Carrega o ADOIYRAN, cabaça que contém a força de se
propagar. Esta cabaça vai no assentamento. É companheiro, inseparável, de ÒGÚN,
a ponto de serem confundidos. Veste o branco, vermelho e o azul escuro. Come
bichos machos e fêmeas.

 
YGELU
 Associado ao WÁJÌ, que representa o fruto da terra e por
extensão o mistério do processo oculto da vida e da multiplicação. Dele é o
caracol africano. Veste o azul arroxeado. Às vezes aparece vestido de preto.
 
 

ÈSÙ dos caminhos de ÒÒSÀÀLÀ. Não deve beber cachaça nem
dendê. Veste-se de branco. Vem, também, para outros Òrisás. Tem muitos filhos.

YNÁ

É invocado no PADÊ. É associado ao fogo e representa a
força. É simbolizado pelo EGAN (gorrinho em forma de cone) , pelo pássaro e
pelo ÌKÓODÍDE, pena vermelha do papagaio ODÍDE.

TIRIRI

Acompanha ÒGÚN pelas estradas. Usa vermelho ou todas as
cores. Sempre nas porteiras e caminhos. Tem grande força.

ELEBÓ ou ELERU

É o senhor das oferendas, o portador e o mensageiro. É
sempre o primeiro a ser invocado. Veste o preto e o vermelho. É o dono do
dendê. É ele que carrega o dendê na peneira.

ODARA

É invocado no PADE. Providencia a comida e a bebida de
todos. É benéfico, não gosta de bebida alcoólica, aprecia mel e vinho, gosta de
branco, mas usa vermelho e preto. Ele nos dá a fortuna.

LONA

É o ÈSÙ das porteiras dos barracões, vigia os caminhos. Traz
os clientes e a fartura. Usa vermelho, preto e azul arroxeado.

OLOBÉ

Este ÈSÙ é o dono da faca. É ele que separa as frações de
substâncias para formar outros seres diferentes. É muito semelhante ao ÒGÚN
SOROQUE, anda pelas madrugadas, sempre procurando os profanadores de oferendas
postas nas encruzilhadas. Sua cor é azul arroxeado. Ele é o ASOGUN e sacerdote,
sacrificador da sociedade das ÌYÁMI ÀJÉ.

ALAKÉTU

É o ÈSÙ do dinheiro, veste branco, vermelho e azul escuro.

ENÚGBANIJO

É o dono da boca, aquele que fala e traz as respostas.

AKESAN

É o que fala pelos búzios.

LARÓYÈ

É astuto e provoca brigas

SIGIDI

 Provocador de brigas.

 ORÍKÌ ESÙ

ÈSÙ òta Òrìsà. Osétùrá ni oruko bàbá mò ó. Alágogo Ìjà ìyá npè é. ÈSÙ ÒDÀRÀ, òmòkùnrin ìdólófin. O lé sónsó si orí èsè elésè. Kò jè, kò jé kí ènje gbé mi. A kìì lówó láì mu ti Èsù kúrò. A kìì lóyò lái mú ti ÈSÙ kùró. Axòntún se òsì láì ní ítijú.ÈSÙ àpáta sòmò òlòmo lènu. O fi okuta dipò iyò. Lòògèmò òrun, a nla kálù. Pàápa-wàrá, a túká máse sà. ÈSÙ máse mi, òmò èlòmíràn ni ose.

Tradução:

–Esú, o inimigo dos Òrìsás. Osétùrá é o nome pelo qual você é chamado por seu pai. Alágogo Ìjà é o nome pelo qual você é chamado por sua mãe. Esú Òdàrà, o homem forte de Ìdólófin. Esú que senta no pé dos outros. Que não come e não permite a quem esta comendo engolir o alimento. Quem tem dinheiro, reserva para Esú a sua parte. Quem tem felicidade, reserva para Esú a sua parte. Esú que joga nos dois times sem constrangimento. Esú que faz uma pessoa falar coisas que não deseja. Esú que usa pedra em vez de sal. Esú o indulgente filho de Deus, cuja grandeza manifesta-se em toda parte. Esú apressado, inesperado que quebra em fragmentos que não se poderá juntar novamente. Esú, não me manipule, manipule outra pessoa.

 

Dois amigos trabalhavam em campos vizinhos. ÈSÙ pôs um boné vermelho de um lado e branco do outro e passou sobre uma cerca que separava as duas propriedades. Após alguns instantes, um deles fez alusão ao homem do boné vermelho, o outro fez a mesma crítica ao homem do boné branco. O primeiro insistiu que o boné era vermelho, o outro que o boné era branco. Como estavam ambos de boa fé, continuaram sustentando seus pontos de vista, cada vez com mais calor e cólera. Acabaram matando-se.

 

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Òrìsá Ògún


Ògún

Era um terrível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Dessas expedições ele trazia sempre um rico espólio e numerosos escravos. Nascido na cidade de IFÉ e nela cultuado, pois veio na corte de ÒRÚNMÌLÀ em sua chegada a terra. É considerado filho de YEMONJA e outras vezes de ODÙDUWÀ e, em ambos, seu pai é ÒRISÀNLÁ. ÒGÚN caça e inventa armas. Deve-se ter sempre a seus pés uma cabaça virada, pois se ele chegar e não encontrá-la, fica nervoso. O fogo e o sangue simbolizam a raiva e o desejo de guerrear. Ele teve várias esposas: ÒSUN, OBÁ e OYA, mas a mais importante foi ELESY ÒSUN ORIY, aquela que pintava sua cabeça com pós-brancos e vermelhos. Por onde passava conquistava aldeias e cidades, era aclamado e recebia vários nomes: ÒGÚN BENIN, ÒGÚN DAYO, ÒGÚN FENÁN, ÒGÚN KAUANÁ; não são qualidades e sim títulos. Seu principal alimento é o IXÙ (inhame). ÒGÚN é assentado, geralmente, do lado de fora. Gosta de ficar rodeado de árvores, como YIOBÉ, peregun, sua árvore de maior fundamento, e YIZIEEOU, pé de jaca. Mulher não deve chegar perto.

Sua saudação: ÒGÚN YÈ, PÀTÀKÌ ORÍ ÒRÌSÀ, quer dizer: Salve OGUN, Orisá importante para a cabeça.

QUALIDADES

ÒGÚN JÁ

É o Òrìsá da casa de ÒÒSÀÀLÀ, o grande guerreiro branco. Como todo ÒGÚN, come inhame, tem temperamento rabugento e solitário. Em seus assentamentos leva Ósun e WÁJI. Não se pronuncia seu nome em vão e nem à noite. Veste branco e, também, o verde. Suas contas são verde-claro. Cobre-se de mariwo.

ARYES ou WARYN

É perigoso e feiticeiro, ligado aos antepassados. Tem temperamento muito difícil e autoritário. Veste verde-claro, come com YEMONJA e ÒÒSÀÀLÀ. Gosta de comer cabritos pequenos, aprecia a carne de marreco e não come frango em suas obrigações.

AJAKÁ

Irmão mais velho de SÀNGÓ conquistou a cidade de OYÓ e deu para seu irmão governar. Guerreiro sanguinário. Veste vermelho e verde escuro, suas contas são iguais a vestimenta. Teria sido o primeiro rei de OYÓ. É agressivo, gosta de dar ordem e ser obedecido.

IKOLÁ

É um ÒGÚN solitário que tem ligação com XOROQUE e ÒÒSÀÀLÀ. Come ÌGBÍN e veste-se de verde escuro ou vermelho. Adora galos vermelhos e bode de chifres grandes.

ELEMONÁ

Mora nas matas e caça muito bem. É muito sério, áspero, não se apegando a ninguém, a não ser a sua própria família. Tem fundamento com OBALÙWÀIYÉ e ÈSÙ.

ALABEDÈ

É um grande ferreiro e ferramenteiro. Este ÒGÚN é o marido de YEMONJA OGUNTÉ e o pai de AKEKO. É o mais velho, trabalhador, exigente e rabugento. Veste-se de azul arroxeado e o vermelho. Contas iguais a roupa. Come com ÈSÙ e YEMONJA.

OLODÉ

É caçador e não come animais caseiros. Amigo e conhecedor dos caminhos como ÒSÓÒSÌ. Semelhante a ÒSÓÒSÌ. Come, em seus assentamentos, caça. Leva um ADEMATÁ e só come nos caminhos da mata.

MEGE ou MEGE-MEGE

Seria o mais velho, a raiz de todos. É um ÒGÚN completo. Come nos cemitérios. Solteirão, ranzinza e muito sanguinário. Suas cores são o verde claro e o vermelho claro.

MENÉ

É um jovem guerreiro. Veste-se de verde claro e usa contas verdes. Come com ÒÒSÀÀLÀ e tem grande fundamento com YEMONJA.

AKORÓ

É irmão mais velho de ÒSÓÒSÌ e ligado a floresta. É invocado no PADE. É filho de YEMONJA OGUNTÉ, jovem, dinâmico, entusiasta, empreendedor, protetor seguro, amigo fiel e ligado ao mau.

ONIRÉ

Primeiro filho de ODÙDUWÀ. Usa contas verdes. Guerreiro impulsivo, cortador de cabeças, ligado a morte e aos antepassados. Muito impaciente, não pensa antes de agir, mas acalma-se rápido.

AJÒ

Fica fora do barracão e toma conta da porteira. É o primeiro a ser saudado. Companheiro de ÈSÙ ronda as encruzilhadas, comendo com ÈSÙ nas estradas. Veste-se e tem contas azuis arroxeado.

ONIJÉ

É o Òrìsá que tritura, corta e provoca ferimentos. Não é aconselhável raspar este Òrìsá em seus filhos. Veste o verde escuro e o vermelho. Tem ligações com OYA YGBALÉ.

SÓRÒKÈ

É um Òrìsá das terras GEGE, um tipo muito perigoso. Dizem que foi amaldiçoado por seu pai e sua mãe. Conta à lenda que um vulcão entrou em erupção e SOROKÈ pulou de dentro dele, em forma de fogo. É o senhor da noite, vive nos cantos das encruzilhadas, castigando os que por ali passam e profanam as oferendas ali colocadas. É o Òrìsá da vingança, pois seu temperamento é muito forte. Tem que ser feito no domínio do pai, VILA MAVUMBE, e ambos no domínio da mãe, APANDÁ. Faz-se o ÈSÙ, escravizado por ÒGÚN, tendo que assentar ÒSUN. Não pode ser feito dentro do barracão. Tudo é duplo, até o QUELÊ. São dois assentamentos, um de ÈSÙ, sem massa e outro de ÒGÚN, com massa, sobre o ÈSÙ. Dança-se para ÈSÙ, ÒGÚN e ÒSUN.

ORÍKÌ ÒGÙN

ÒGÚN pèlé o. ÒGÚN, alákáyé, osìn ímolè. ÒGÚN alada méji. O fi òkan ye oko. O fi òkan ye ona. Ojó ÒGÚN ntókè bò. Aso iná ló mu bora, ewu ejè lówò. ÒGÚN edun olú irin. Awònye òrìsà tií bura re sán wònyìnwònyìn. ÒGÚN ONIRE alagbara. A mu wodò, ÒGÚN si la omi logboogba. ÒGÚN lo ni aja oun ni a pa aja fun. Onílí ikú, olódèdè màríwò. ÒGÚN olónà ola. ÒGÚN a gbeni ju oko riro lo, ÒGÚN gbeni o. Bi o se gbe Akinoro.

TRADUÇÃO:

Ogun eu te saúdo. Ogun senhor do universo, lorde dos orixás. Ogun dono de dois facões. Usou um deles para preparar a horta e o outro para abrir caminho. No dia em que Ogun vinha da montanha ao invés de roupa, usou fogo para cobrir-se e vestiu roupa de sangue. Ogun, a divindade do ferro, orixá poderoso, que se morde inúmeras vezes. Ogun Onire, o poderoso. O levamos para dentro do rio e ele, com seu facão, partiu as águas em duas partes iguais. Ogun é o dono dos cães e para ele sacrificamos. Ogun, senhor da morada da morte, o interior de sua casa é enfeitado de mariwo. Ogun, senhor do caminho da prosperidade. Ogun, é mais proveitoso ao homem cultuá-lo do que sair para plantar Ogun. Apoie-me do mesmo modo que apoiou Akinoro.

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Órìsà Òsóòsí


Òsóòsì

Filho de YEMONJA e ÒÒSÀÀLÀ é o deus da caça e vive nas florestas, onde moram os espíritos dos antepassados. Tem a virtude de dominar os espíritos da floresta. Na África era a principal divindade de ILOBU, onde era conhecido pelo nome de YRINLÉ ou INLÉ, um valente caçador de elefantes. Conduziu seu povo de ILOBU a guerra e os ensinou a arte de guerrear, permanecendo até hoje nesta cidade. Ocupa um lugar de destaque nos Candomblés em Salvador, isto porque é o patrono de todos os terreiros tradicionais. ÒSÓÒSÌ é o único Òrìsá que entra na mata da morte, joga sobre si um pó sagrado, avermelhado, chamado AROLÉ, que passou a ser um de seus dotes. Este pó o torna imune a morte e aos ÉGÚNS. Sendo ele um rei, carrega o EYRUQUERE ( espanta moscas ) que só era usado pelos reis africanos, pendurado no saiote. Come com ÈSÙ e mora do lado esquerdo, onde está situada toda a sua força. Ele é um EBORÁ da esquerda. Cura-se e raspa-se pelo lado esquerdo. OLODÉ é o ÈSÙ de ÒSÓÒSÌ e como pelo lado esquerdo.

Sua saudação: ODE, ÒKÈ ÀRÓ, quer dizer: Salve o caçador.

QUALIDADES

YBUALAMO

É velho e caçador. Come nas águas mais profundas. Conta um mito que YBUALAMO é o verdadeiro pai de LOGUNEDE. Apaixonado por ÒSUN e vendo-a no fundo do rio, ele atirou-se nas águas mais profundas em busca do seu amor. Sua vestimenta é azul celeste, como suas contas. Come com OMOLU AZOANI. Usa um capacete feito de palha da costa e um saiote de palha.

INLE

É o filho querido de OSOGUIAN e YEMONJA. Veste-se de branco em homenagem a seu pai. Usa chapéu com plumas brancas e azul claro. É tão amado que OSOGUIAN usa em suas contas uma azul claro de seu filho. Come com seu pai e sua mãe (todos os bichos) e tem fundamento com ÒGÚN JÁ.

DANA DANA

Tem fundamento com ÈSÙ, ÒSÓNYÍN, OSÙMÀRÈ e OYA. É ele o Òrìsá que entra na mata da morte e sai sem temer ÉGÚN e a própria morte. Veste azul claro.

AKUERERAN

Tem fundamento com OSÙMÀRÈ e ÒSÓNYÍN. Muitas de suas comidas são oferecidas cruas. Ele é o dono da fartura. Ele mora nas profundezas das matas. Veste-se de azul claro e tiras vermelhas. Suas contas são azul claro. Seus bichos são: pavão, papagaio e arara, tiram-se as penas e solta-se o bicho.

OTYN

Guerreiro e muito parecido com seu irmão ÒGÚN, vive na companhia dele, caçando e lutando. É muito manhoso e não tem caráter fácil. Muito valente esta sempre pronto a sacar sua arma quando provocado. Não leva desaforos e castiga seus filhos quando desobedecido. Usa azul claro e o vermelho, conta azul leva capangas, roupas de couro de leopardo e bode. Tem que se dar comida a ÒGÚN.

MUTALAMBO

Tem fundamento com ÈSÙ.

GONGOBILA

É um ÒSÓÒSÌ jovem. Tem fundamento com ÒÒSÀÀLÀ e ÒSUN.

KOIFÉ

Não se faz no Brasil e na África, pois muitos de seus fundamentos estão extintos. Seus eleitos ficam um ano recolhidos, tomando todos os dias o banho das folhas. Veste vermelho, leva na mão uma espada e uma lança. Come com ÒSÓNYÍN e vive muito escondido dentro das matas, sozinho. Suas contas são azuis clara, usa capangas e braceletes. Usa um capacete que lhe cobre todo o rosto. Assenta-se KOIFÉ e faz-se YBO, YNLÉ ou ÒSUN KARÉ; trinta dias após, faz-se toda a matança.

AROLÉ

Propicia a caça abundante. É invocado no PADE. É um dos mais belos tipos de ÒSÓÒSÌ. Um verdadeiro rei de KÉTU. As pessoas dele são muito antipáticas. Jovem e romântico gosta de namorar, vive mirando-se nas águas, apreciando sua beleza. Come com ÒGÚN e ÒSUN. Veste azul claro, aprecia a carne de veado e é ágil na arte de caçar.

ODE KARE

É ligado as águas e a ÒSUN, porém os dois não se dão bem, pois exercem as mesmas forças e funções. Come com ÒSUN e ÒÒSÀÀLÀ. Usa azul e um BANTÉ dourado. Gosta de pentear-se, de perfume e de acarajé. Bom caçador mora sempre perto das fontes.

ODÉ WAWA

Vem da origem dos Òrìsas caçadores. Veste-se de azul e branco, usa arco e flecha e os chifres do touro selvagem. Come com ÒÒSÀÀLÀ e SÀNGÓ, pois dizem que ele fez sua morada debaixo da gameleira. Está extinto, assenta-se ele e faz-se AIRÁ ou ÒSUN KARÉ.

ODÉ WALÈ

É velho e usa contas azul escuro. É considerado como rei na África, pois seu culto é ligado, diretamente, a pantera. É muito severo, austero, solteirão e não gosta das mulheres, pois as acha chatas, falam demais, são vaidosas e fracas. Come com ÈSÙ e ÒGÚN.

ODÉ OSEEWE OU YBO

É o senhor da floresta, ligado as folhas e a ÒSÓNYÍN, com quem vive nas matas. Veste azul claro e usa capacete quase tampando o seu rosto.

ORIKI ÒSÒOSI

ÒSÓÒSI. Awo `ode ìjà pìtìpà. Omo ìyá ÒGÚN ONÍRÉ. ÒSÓÒSI gbà mí o. Òrìsà a dinà má yà. Ode tí nje orí eran. eléwà òsòòsò. Òrìsa tí ngbélé imò, gbe ilé ewé. A bi àwò lóló. ÒSÓÒSÌ kì nwo igbó, kí igbo má mì tìtì. Ofà ni mógàfí ìbon, oo ta ofà sí iná, iná kú pirá. O tá ofà sí oòrùn, oòrùn rè wèsè. Ogbàgbà tí ngba omo rè. Oní màríwò pákó. Ode bàbá ò. Odè ojú ÒGÚN, O fi kan soso pa igba ènìyàn. Ode nú igbó, o fi ofà kan soso pa igba eranko. A wo eran pa si ojúbo ÒGÚN lákayé, má wo mi pa o. Má sì fi ofà owo re dá mi lóró. Odè ò, Odè ò, Odè ò, ÒSÓÒSI ni nbá Odè inú igbo fà, wípé kí ó de igbó re. ÒSÓÒSÌ oloró tí nba ségun, o bá ajé jà, o ségun. ÒSÓÒSI o. Má bà mi jà o. ÒGÚN ni o bá mi se o. Bí o bá nbò láti oko. Kí o ká ilá fún mi wá. Kí o re ìréré ìdí rè. Má gbàgbé mi o, Odè ò, bàbà omo ki ngbàgbé omo.

TRADUÇÃO:

Osóòsi! Ó orixá da luta, irmão de Ogun Onire. Osóòsi, me proteja! Orisá que tendo bloqueado o caminho, não o desimpede. Caçador que come a cabeça dos animais. Orixá que come ewa Osóòsi Orixá que vive tanto em casa de barro como casa de folhas. Que possui a pele fresca.. Osóòsi não entra na mata sem que ela se agite. Ofá é a arma poderosa que o pai usa em lugar da espingarda. Ele atirou a sua flecha contra o fogo, o fogo se apagou de imediato. Atirou sua flecha contra o sol, e o sol se pôs. Ó salvador, que salva seus filhos! Ó senhor do màriwó páko! Meu pai caçador chegou na guerra, matou duzentas pessoas com uma única flecha. Chegou dentro da mata, usou uma única flecha para matar duzentos animais selvagens. Arrasta um animal vivo até que ele morra e o entrega no ojubo de ÒGÚN. Não me arraste até a morte. Não atire sofrimentos em minha vida com seu Ofá. Ó ODÉ! Ó ODÉ! Ó ODÉ! Dentro da mata é OXOSI que luta ao lado do caçador para que ele possa caçar direito. OXOSI, o poderoso, que vence a guerra para o rei. Lutou com a feiticeira e venceu. Ó OXOSI, não brigue comigo. Vence as guerras para mim, quando voltar da mata, colhe quiabos para mim, e se colhe-los, tire seus talos. Não se esqueça de mim. Ó ODÉ, um pai não de esquece do filho.

LENDA ( Itan )

Conta-se que um grande caçador entrou na mata com seu filho, LOGUNEDE, ensinando-lhe a arte de caçar e manejar o arco e a flecha, Após inúmeras caçadas, LOGUN sentou-se embaixo de uma árvore para descansar. Nessa árvore pousou um pássaro e ÒSÓÒSÌ preparou sua arma e atirou. Acertou em cheio o pássaro e, também, uma colméia de abelhas. Elas foram cair justamente sobre a cabeça de LOGUNEDE, que sem ter como se defender foi picado. ÒSÓÒSÌ vendo o desespero do filho correu a acudi-lo, sendo mordido várias vezes. Conseguindo fugir, deitou seu filho em folhas frescas e, sem saber o que fazer, pôs-se a chorar. Eis que o Òrìsá OMOLÚ vendo aquilo, parou e apiedou-se do estado de LOGUNEDE, pois a criança estava morrendo. OMOLÚ tirou de sua capanga água de cana e gengibre, pilou e aplicou sobre os ferimentos, aliviando as dores. Após isto, fez o mesmo com ÒSÓÒSÌ, curando-o completamente. ÒSÓÒSÌ então disse-lhe: Senhor dos aflitos, ponho o meu reino a seus pés e toda a minha caça que daqui por diante eu conseguir, comeremos juntos. OMOLÚ agradeceu e seguiu seu caminho. Então ÒSÓÒSÌ jurou que nunca mais comeria o mel, pois o mel o faria lembrar todo o sofrimento seu e de seu filho. Por isso ÒSÓÒSÌ não leva mel e LOGUNEDE é lavado com açúcar mascavo e gengibre. Toda pessoa de LOGUN tem que assentar AZOANI. Tem que ter um pedaço de colméia para quando LOGUN chegar, depois enrola-se num morim e joga-se no rio. Também é proibido aos filhos de LOGUN comerem palmito, fígado de boi e caças.

Categorias:Orixás

Òrìsá Òsónyín


Òsónyín

É um Òrìsà encantado, não viveu na forma humana. É filho direto de OLODUMARÈ, o Deus Supremo. Ele vive no fundo da floresta e tem como companheiro, permanente, um anãozinho de uma perna só, que fuma um cachimbo feito com a casca do caracol, enfiado num TARYOKÓ, uma varinha de bambu, com suas folhas prediletas. Carrega um pássaro que voa por toda parte e pousa em sua cabeça, contado-lhe tudo que viu ou se alguém se aproxima. Històricamente seria filho de NÀNÁ e ÒÒSÀÀLÀ e criado por YEMONJA, sendo irmão de criação de ÒGÚN, ÒSÓÒSÌ e ÈSÙ e irmão carnal de ÌRÓKÒ, OSÙMÀRÈ e OBALÚWÀIYÉ, por isto é assentado ao lado de sua mãe e seus irmãos. ÒSÓNYÌN conversa com os espíritos sagrados que moram dentro das árvores, sendo eles e os animais seus companheiros na floresta. Assim como ÒSÓÒSÌ, também conhece a linguagem dos animais e dos pássaros, imitando-os com perfeição. Ele é representado, na África, pela cor verde. Assim como ÈSÙ, ÒSÓNYÌN come bichos machos e fêmeas.

FUNDAMENTO

Quando se faz o Iyawô leva-se na mata, passa-se mel, deita ele no chão cobrindo-o de folhas, cantando para as folhas em seu redor. Levanta-o após 7 cantigas e ele entra nas águas. ÒSÓNYÌN é assentado na mata. Passa na encruzilhada por causa de ÈSÙ. Come preá do mato. Sua saudação: EWÉ Ó! EWÉ ÀSÀ, quer dizer: OH! As folhas, a folha é tradição.

QUALIDADES:

AGUÉ

Usa roupas e contas rosa rajado de verde. Come com OSÙMÀRÈ e OYA.

MOKOSSU

Um tipo velho vive escondido no mato, fuma muito e bebe com abundância. Tem caminhos com ÈSÙ.

GAYAKU

É novo, muito vivo, só vive em cima das árvores, nunca aparece nos lugares habitados. Come com ÒSÓÒSÌ e aparece na roda do PADE.

AGBÉNIGI

É velho, grande feiticeiro, dono do pássaro sagrado e o único que chega bem perto das YIAMIN OSORONGÁ. Dono absoluto do poder das ervas. Come diretamente com ÈSÙ.

ARONY

Recebe uma saudação própria, diferente dos outros. Apesar de ser companheiro de AGBÉNIGI, é mais terrível, fumando seu cachimbo faz mais bruxarias que os outros. Só come bicho de duas pernas.

Sua saudação:

– VÓLÀ VÓLÀ EWÉ, quer dizer: Dono de uma perna que come o dono de duas pernas.

ORÍKÌ

Agbénigi, òròmodìe abìdi sónsó

Esinsin abedo kínníkínni;

Kòògo egbòrò irín

Aképè nìgbà oràn kò sunwòn

Tíotío tín, ó gbà aso òkùnrùn ta gìègìè

Elésè kan jù elésè méjì lo.

Aro abi-okó lièliè

Ewé gbogbo kíki oògùn

Agbénigi, èsisi kosùn

Agogo nla se erpe agbára

ó gbà wòn là tán, wòn dúpé téniténi

Aròni já si kòtò di oògùn máyà

Elésè kan ti ó lé elésè méji sáré

Tradução:

Agbénegi, que vive na árvore e que tem um rabo pontudo como um pinto

Aquele que tem o fígado transparente como o da mosca

Aquele que é tão forte quanto uma barra de ferro

Aquele que é invocado quando as coisas não estão bem.

O esbelto que quando recebe a roupa da doença se move como se fosse cair

O que tem uma só perna e é mais poderoso que os que têm duas

O fraco que possui um pênis fraco

Todas as folhas têm viscosidade que se tornam remédio

Agbénigi, o deus que usa palha

O grande sino de ferro que soa poderosamente

A quem as pessoas agradecem sem reservas depois que ele humilha as doenças

Aroni que pula no poço com amuletos em seu peito

O homem de uma perna que incita os de duas pernas para correr.

Categorias:Orixás

Òrìsá Omolú-Obaluwaíyè


Omolú-Obaluwaíyè

É filho de NÀNÁ YBAIN e ÒÒSÀÀLÀ. Irmão adotivo de ÒGÚN e ÈSÙ e irmão carnal de ÌRÓKÓ e OSÙMÀRÈ. A varíola é a punição que ele aplica aos maus feitores. Quando morre uma pessoa, OMOLÚ senta-se em cima do corpo, reivindicando seus direitos. Está relacionado à terra, os troncos das árvores e os ramos. Transporta o ÀSE preto, vermelho e branco, seu maior segredo é com os espíritos contidos na terra, que são seus irmãos e de quem ele é o maior símbolo. Assim como NÀNÁ, ele é o patrono dos KAURIS. Ele usa em suas vestimentas um capuz de palha da costa, chamado AXÓ YIKÓ, que lhe foi dado por seu irmão ÒSÓÒSÌ, para lhe cobrir as chagas e, principalmente, seus olhos, pois contêm todo o brilho do sol e quem olhasse perderia a visão. O AXÓ YIKÓ é um material de grande significado, pois participa de todos os rituais ligados a morte. A presença de YIKÓ é indispensável, em todas as situações que se maneja com o sobre natural. O YIKÓ é a fibra da ráfia, obtida de palmas novas de YIGYOGÓRO, árvore sagrada, que produz a palha obtida dos talos do olho da palmeira, quando nova, antes delas abrirem-se e curvarem-se. O fato de cobrir-se com YIKÓ e ornar-se com búzios e cabaças, mostra que estamos na presença de um Òrìsá ligado, diretamente, com a morte, cujas faculdades destruidoras são de difícil controle. Segundo as lendas, ele é irmão mais velho de SÀNGÓ AJAKÁ. SÀNGÓ destronou um OMOLU velho e assumiu seu lugar, por esta razão existe a guerra entre os dois Òrìsás. Pessoas de OMOLÚ não pegam no SÈRE nem participam da roda de SÀNGÓ. No OLUBAJÉ não entra AMALÁ e na comida de SÀNGÓ não entra DEBURUS. OMOLÚ usa miçangas pretas e brancas e OBALUWÀÍYÉ pretas, vermelhas e brancas, dependendo da qualidade, amarelo, preto e marrom. Sendo OMOLÚ o dono da terra, é ele quem nos dá todo o tipo de alimentos, inclusive, a ele pertence todos os grãos. Os OGANS tem que ter respeito pelos atabaques, pois OMOLÚ é o dono dos couros. Este Òrìsá é o padrinho de todos os OGANS. Quando vamos dar comida aos atabaques, damos comida a OMOLÚ. A OMOLÚ pertence o porco, cabrito, frangos, galos carijós, frangos rajados, d’angola, tatu e cágado. Carneiro é sua grande ÈÈWÒ (KIZILA). Pega, também, patos pretos e brancos. Depois do ritual de rolar os bichos, tira-se a língua da d’angola, do pato e do porco. O cágado é colocado de barriga para cima, para SÀNGÓ não chegar. As línguas não vão ao fogo.

Sua saudação: ATÓTÓ, quer dizer: Silêncio!

QUALIDADES

SAPONAN

É o mais antigo. É proibido falar seu nome. Na África quando se fala seu nome, coloca-se mel na boca. Come com ÈSÙ e tem fundamento nas encruzilhadas. Tem caminhos com ÒSÓÒSÌ e é o deus da varíola e das doenças de pele. Era ele quem dizimava nas aldeias. Suas contas são brancas e pretas. No dia de sua feitura tem que ser feito sete qualidades de comidas, pôr na folha de mamona e levar com uma vela para o campo. Ele leva dois ÌLÈKÈ (quelê) : um no pescoço e um na perna esquerda ( duas argolas de aço ) . No dia do recolhimento, leva-se o ÌYÀWÓ na porta do cemitério e da-se um sacudimento. Este santo é preparado no barro vermelho. Quando se dá comida a ele, da-se na encruzilhada, pois ele tem caminhos com ÈSÙ CAVEIRA e MULAMBO.

AZANSSUN

É ligado ao tempo, as estações do ano e ao culto da terra. É o verdadeiro dono do cuscuzeiro. Seu assentamento é feito no barro vermelho; leva 9 olhos de boi, duas muletas pequenas de cedro, suas lanças são diferentes das dos outros, são sete mas uma é maior, no meio leva uma bandeira de aço e na outra um tridente. Veste vermelho preto e branco, na perna esquerda leva uma pulseira de aço.

POSSUN

É o mesmo AZANSSUN do GEGE, “louvado ” como POSSUM , no KÉTU e na ANGOLA, como TEMPO. Come diretamente na terra. Sua dança mostra claramente a sua ligação com ÈSÙ e com a terra, dança com garras nas mãos, como se estivesse cavando a terra ou retalhando alguma coisa. Em seu assentamento leva uma mão de ferro com uma bola de tabatinga, que representa o mundo, e pôe-se as garras. Come cágado e tatu. Tem caminhos com INTOTO, ÌRÓKÒ e OYA.

INTOTO

Suas contas são vermelho e preto. É um Òrìsá cultuado em seu assentamento e não vira na cabeça de ninguém, pois não tem como cultuá-lo. Antigamente recebia sacrifícios humanos, por tratar-se de um Òrìsá antropófago, come a carne e destrói os ossos. Foi esse OMOLÚ que brigou com OSOGUIAN. Caso apareça um ÌYÀWÒ desse Òrìsá, faz-se AZUANI ou ÒSUN. Da-se comida a terra. Esse Òrìsá é ABIKU, portanto não se raspa, pois representa o fundo da terra. Somente se assenta. Come com YEWÀ, OYA e YKU. Seus assentos são cultuados ao lado de NÀNÁ e YEMONJA. Pega-se um pouco de terra de cemitério e pôe-se no assento. Ele presta obediência a ÒSUN, por quem se apaixonou. Mora só e não aceita a faca, assim como NÀNÁ. Come porco preto, frangos, pombos de cor e galinha d’angola. Come no campo que tenha barro. Quando se faz o ÌYÀWÒ desse santo, todos os Òrìsás viram, exceto SÀNGÓ. Leva-se os bichos e as comidas de YEMONJA, NÀNÁ e ÒÒSÀÀLÀ, bastante epó, acarajés, feijão preto com ovos cozidos, deburus (a mesma coisa se faz com YEWÀ). Tudo dele é com dendê. Sua comida: feijão preto com um ovo cozido no meio, deburus ao redor (feitos com milho de galinha), 9 ovos crus, 9 velas e 9 monsenhor. Pede-se a uma pessoa de ÒGÚN, OYA ou OMOLÚ para apanhar várias folhas de mamona. Faz-se um buraco redondo de dois palmos, acende-se as velas ao redor e canta-se as rezas se fundamentos. Sacrifica-se o porco depois da reza, copa-se o bicho ali mesmo, pega-se as galinhas puxa-se os ORIS e coloca-se dentro, enfeitando com as comidas e cobrindo com as folhas de mamona. Já fora do campo, passa-se as folhas de mamona e os ovos, jogando-os e não olhando para trás. Para os assentos só se leva os bichos de penas. Além do campo dá-se comida lá fora, no assento dele. Sete dias depois é que se faz o ÌYÀWÒ com outra qualidade de OMOLÚ. Ficam assim, dois assentos, um lá fora, de INTOTO e outro de AZUANI.

JAGUN ou AJAGUN

Em seu assentamento leva uma estatuazinha com olhos. Tem dois ÌLÈKÈ (quelê), um de búzios e outro de miçangas. No dia da saída tira-se o de búzios e coloca-se no pescoço do boneco. Tem caminhos com ÒÒSÀÀLÀ. É jovem e guerreiro. Leva na mão uma lança chamada OKÓ. É vingativo, ambicioso, luta para alcançar posição alta sem ver de que maneira. Tem caminhos com ÒGÚN JÁ, OSOGUIAN, AYRÁ, ÈSÚ e OSÀLÚFÓN. Ele é cultuado no dia 17 de dezembro, veste branco e preto e suas contas são rajadas. O seu cuscuzeiro leva uma seta só, vem dentro de uma bacia com 9 pratinhos brancos de barro. Seu verdadeiro encanto, como dos outros, é o cântaro ( moringa de uma asa só ) . Neste cântaro pôe-se jóias e dinheiro. Ele não come feijão preto. Come miúdos de boi no azeite doce, os outros comem com dendê. Ele é o único que come ÌGBÍN.

TETU

É jovem e guerreiro. Come com ÉGÚN e OYA. Veste branco, preto e vermelho. Seu caqueiro é tampado e não se abre nunca.

AZUANI

É jovem, veste preto e branco como suas contas. Tem caminhos com ÌRÓKÓ e OSÙMÀRÈ. Come tatu na praia.

AFENAN

É velho, dança curvado. Veste, também, a estopa e carrega duas bolsas de onde tira as doenças para jogar nos incrédulos. Veste amarelo e preto, contas iguais. Todas as plantas trepadeiras pertencem-lhe. Tem caminhos com OSÙMÀRÈ e OYA, de quem é companheiro. Dança cavando a terra, como INTOTO, para depositar os corpos que lhe pertence

AJUNSUN

É extrovertido. Tem fundamentos com ÒGÚN e ÒÒSÀÀLÀ.

Categorias:Orixás

Òrìsá Logunedé


Logunedé

É filho de ÒSÓÒSÌ YBUALAMO e ÒSUN YPONDÀ. Na parte masculina ele veste azul claro e na feminina amarelo ouro. Suas ferramentas ( IBÁ ) levam sete espadas pequenas, amarelas, sete ofas pequenos, amarelos; usa arco e flecha, um leque e uma trombeta ( berrante ) , mas delicado. Seus bichos são o faisão, canário da terra, coelho e periquito. LOGUN não come frangos, e sim galo e galinha garnisé, porco da índia, tatu e bode castrado. Tudo dele é dobrado. Ele só responde chorando. É a divindade das águas doces e do mato baixo.

Sua saudação: LÒGÚN Ó AKOFÀ, quer dizer: Ele é LOGUN, peguemos o arco e a flecha.

QUALIDADES

– EDÈ LOKO

Tem fundamento com ÈSÙ.

– EDÈ YBAYN

Leva carrinhos e bola de gude, pois ele é um recém-nascido.

– APANAN .

Todos comem com ÈSÙ e ÒSÓÒSÌ. Seus fundamentos estão em sua mãe de criação, ONIRA, sem ela LOGUN não caminha. Toda pessoa de LOGUN tem que assentar ONIRA e de ONIRA tem que assentar LOGUN. LOGUNEDE assenta, também, YBUALAMO, YPONDA e OPARÁ.

Categorias:Orixás